A Motivação no Processo de Aprendizagem

Sem dúvida alguma estamos vivendo a era de maiores transformações da história da humanidade. Em nenhum outro tempo, nenhuma outra época, experimentamos tantas mudanças ao mesmo tempo. A única certeza estável que temos hoje em dia é a certeza de que tudo vai mudar! Quem nasceu nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX começou o século e terminou o século usando os mesmos atributos da tecnologia. Quem nasceu no século XX iniciou o século de uma forma absolutamente diferente de como terminamos. Como será este novo século? Não sabemos os “sustos” tecnológicos que iremos tomar neste século XXI.

Essa consciência de um mundo em extrema e rápida mudança é que poucas pessoas têm. Daí sentirmos uma certa angústia, uma certa inquietude dentro de nós, produto de nossa rápida obsolescência tecnológica e mesmo de valores.

As empresas nunca tiveram que mudar tanto e tão rapidamente. O mercado nunca mudou tanto e tão rapidamente. O comportamento do consumidor nunca mudou tanto e tão rapidamente. O ciclo de vida dos produtos é cada vez mais curto. Graças a esse processo de aceleração da história, as empresas não podem mais garantir o emprego a seus funcionários. Quem “garante” o emprego é o mercado. A empresa de hoje vive em constante transformação. Seja com o nome que for, nenhuma empresa de hoje está livre de ter que fazer projetos de “downsizing”, qualidade total, “empowerment” e que tais. O mercado muda tão rapidamente; as regras do jogo mudam tão rapidamente que não há mais como uma empresa garantir o emprego vitalício. Até no Japão essa realidade faz parte do passado.

Não podendo mais garantir o emprego, as empresas devem comprometer-se em garantir a “empregabilidade” de seus funcionários. Isto significa aumentar seus investimentos e recursos em treinamento e desenvolvimento de pessoal. Isto significa colocar o funcionário numa posição de empregabilidade para o tempo em que a empresa não puder mais sustentá-lo em seus quadros.

Isto significa aumentar os investimentos e recursos em programas de bem-estar e prevenção de saúde dos funcionários e executivos. Significa adotar uma atitude honesta e franca com o seu corpo funcional, colocando-o a cada dia mais apto a trabalhar dentro ou fora da empresa. E numa pesquisa que fizemos com executivos de São Paulo, verificamos que essa consciência já chegou ao empregado e ele também prefere que a empresa lhe ofereça maior empregabilidade ao invés de prometer permanência no emprego, uma atitude hoje considerada falsa como a própria realidade vem demonstrando.

Programas de incentivo devem ser dirigidos à empregabilidade. Viagens, videocassetes, TVs, como prêmios de incentivo, vêm sendo substituídos nas melhores empresas por programas de treinamento e desenvolvimento no Brasil e no exterior. Muito mais do que incentivos materiais os funcionários estão compreendendo a importância do conhecimento como base de seu sucesso. Isso aumentará sua empregabilidade e sua motivação em relação à empresa. Acredite nisso e verá seus funcionários mais fiéis, leais, comprometidos e motivados.

Investindo na empregabilidade dos funcionários, as empresas também garantem o seu melhor desempenho enquanto puder mantê-los em seus quadros e isso aumenta a produtividade da própria empresa e, paradoxalmente, pode impedí-la de ter que dispensar seus funcionários por ficar atrasada na competição do mercado.

Assim, sob todos os pontos de vista, investir na empregabilidade é hoje fator essencial para o sucesso de uma empresa. É isso que as grandes empresas de sucesso no Brasil e no mundo vêm fazendo.

Assim, o funcionário de uma empresa que demonstra ser e estar preocupado com a empregabilidade é mais motivado a dar mais de si para os objetivos da empresa. Ninguém “motiva” ninguém. É a própria pessoa que se auto-motiva, isto é, encontra os motivos para fazer mais e melhor aquilo que dela se espera em benefício da empresa, do mercado, dos clientes. Assim, trabalhar na empregabilidade é hoje fator essencial de motivação dos empregados.

O funcionário precisa sentir-se em constante desenvolvimento. Ele precisa sentir que não está parado no tempo e que, caso ocorra a sua demissão, ele estará apto a buscar outra colocação num mercado a cada dia mais competitivo. Assim, novamente, treinar, aperfeiçoar, especializar são fatores motivacionais dos mais importantes e valorizados pelos funcionários de qualquer organização.

E a grande verdade é que um empregado, hoje, não pode e não deve esperar que sua empresa invista no seu desenvolvimento. É preciso que o próprio funcionário dedique tempo, energia, recursos dentre os poucos que possa ter para aperfeiçoar-se, para desenvolver-se e enfim, garantir o seu emprego. Vejo, com tristeza, empregados que ficam aguardando que a empresa invista nele. E a verdade, novamente, é que ninguém vai investir em mim, se eu não investir em mim em primeiro lugar. Ninguém gastará vela como “mau defunto” como diz o ditado popular.

Assim, hoje, se alguém quer manter o seu emprego, trate de preservá-lo e a melhor maneira de preservar um emprego hoje em dia é estar atualizado, é fazer as coisas com muito comprometimento, atenção aos detalhes e com sentimento de fazer as coisas bem feitas até o fim.
Invista em você! A hora é agora! Garanta o seu emprego, aumentando a sua empregabilidade! São as palavras de ordem hoje em dia.

E o leitor pode estar perguntando o que tudo a isto tem a ver com os objetivos da Fundação Luiz Almeida Marins Filho, que é “Ensinar a Aprender”?
Em minha opinião, tem tudo a ver. A escola de hoje tem que se “ligar” cada vez mais com o mercado de trabalho. Formar pessoas “empregáveis” é o grande desafio da escola, hoje.

Assim, motivar os alunos para que compreendam a importância de um processo permanente de educação e conhecimento é fundamental. O próprio processo ensino-aprendizagem deve concentrar-se no aluno e na sociedade em mudança que estamos vivendo e não nas “ementas” frias. Usar e trabalhar com exemplos concretos da realidade do mundo concreto é essencial para que o aluno aprenda a aprender.
Ensinar a aprender é,portanto, a tarefa fundamental da escola. Pouca adianta dar “dados” que serão modificados pelo desenvolvimento científico e tecnológico. É preciso ensinar os alunos a “pensar”, questionar, para que passem de uma consciência ingênua da realidade para uma “consciência crítica” e possam fazer as opções corretas que o mundo contemporâneo exige.

Isso é “motivar”. É fazer o educando compreender os “motivos” reais, de ordem lógica, até cartesiana, para que busquem o conhecimento, sem cessar. É fazê-los compreender que o conhecimento é uma corrida sem linha de chegada. É preciso motivá-los a querer aprender e não simplesmente ter um diploma ou certificado. É preciso motivá-los até a aprender a passar do plano do conhecimento teórico para a ação prática que garantirá o seu futuro no mercado, cada vez mais competitivo.

Assim, ensinar a aprender e motivar os alunos a aprenderem a aprender é a grande missão da escola neste século XXI.


Luiz Almeida Marins Filho - Presidente de Honra da Fundação Luiz Almeida Marins Filho